Matar índio no Brasil é como matar mosca. Quem se importa? Em apenas 1 semana 2 lideranças indígenas foram assassinadas, no Maranhão e na Bahia. "Supostamente" por pistoleiros a mando de fazendeiros e madeireiros, claro, sempre "supostamente". Matar pessoas por mais terra e madeira pode não comover você, afinal, não é nenhum terremoto ou queda de avião, só que é a realidade de um país cuja população tradicional vem sendo ameaçada desde sempre. O nosso país.
Saiba mais sobre o assassinato de Eusebio Ka'apor, baleado em 26 de abril no Maranhão, e de Adenilson da Silva Nascimento, da etnia Tupinambá, emboscado em 1 de maio na Bahia { http://bit.ly/1EOAe60
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terça-feira, 5 de maio de 2015
sexta-feira, 17 de abril de 2015
"Depois dos índios, tem que limpar pros deputados, né?"
Pode ser de praxe, mas, pegou mal. E suscita sim, imediatamente, a associação com o fato de o presidente da câmara ser preconceituoso. Imagina o seu Cunha pegando o telefone, em seu gabinete [que imaginamos seja confortável e climatizado], e mandando o chefe do chefe do chefe da limpeza desinfetar imediatamente o lugar em que dezenas de índios estiveram.
Mas, não devemos estimular pensamentos odientos. A força tarefa de 14 funcionários da limpeza deve ser usual, ainda que um deles tenha brincado e dito a frase que está no título: "Depois dos índios, tem que limpar pros deputados, né?"
Será que tem mesmo que limpar? Sim, tem, só que não para os deputados sentarem nas cadeiras higienizadas após a sentada dos homenageados. Tem que limpar é depois que levantam os assentos dos velhacos, espertos, canalhas, aboletados nas cadeironas de poder, esquemas, privilégios, mordomias, propinas. E para não fazermos desfeita aos raros representantes dos interesses coletivo, vamos usar uma expressão batida: tirando os que contamos nos dedos.
Pois bem, foi uma homenagem ao Dia do Índio [só lembrando, no 19 de abril] no plenário Ulysses Guimarães. Ahan... A melhor homenagem que os deputados federais poderiam fazer aos povos indígenas seria mandar para o beleléu a PEC 215. E, respeitando a Constituição de nosso país, desistirem de querer ter poder soberano sobre o que não cabe a eles e sim articular com a presidente a demarcação das terras, que deveria ter sido concluída em 1993.
Nanci Silva nos lembra que os indígenas ensinaram os brancos europeus a tomar banho todos os dias. Então, se o seu Cunha ou o funcionário da limpeza ou nós tomamos banho todos os dias é porque pegamos dos índios.
Sangue indígena corre em nossas veias, carregamos memórias ancestrais ainda que não saibamos ou teimemos em ignorar, trazemos costumes que são nossa história mesmo dando as costas. Adora futebol? Maracanã, cara pálida, é palavra indígena. Ama o Rio de Janeiro? Carioca é outra palavra indígena. Curte um bolinho de aipim com carne seca na feira? Aprendemos a lidar com a mandioca, adivinha...
Segue o link para a matéria em Uol sobre a tal higienização { http://bit.ly/1FQov4v
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