Um novo suplemento alimentar para vacas leiteiras diminuiu em 30% as emissões de gás metano destes animais, prometendo se converter em uma arma valiosa na luta contra as mudanças climáticas.
A redução deste gás pode ser um grande passo na luta contra as mudanças climáticas, segundo os autores do estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicado nesta quinta-feira pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
“Se for aprovado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e adotado pela indústria de agropecuária, este inibidor de metano pode ter um impacto significativo nas emissões de gases de efeito estufa do setor de gado”, disse Alexander Hristov, professor de nutrição da universidade Penn State e principal autor do estudo.
Quem acompanha as discussões sobre mudanças climáticas já reparou que é impossível dissociar nossa dieta dos impactos ambientais que assolam o planeta. O bife nosso de cada dia inflige ao planeta um custo ambiental que se apresenta na forma de desmatamento, perda de biodiversidade, alto consumo de água (pra cada 1kg de carne bovina é necessário mais de 17 mil litros de água) e aumento das emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta, como é o caso da emissão de metano pelo sistema digestivo dos ruminantes.
A criação de gado representa 44% das emissões de metano no planeta derivadas da atividade humana. Cada cabeça de gado libera 60 kg de metano na atmosfera. Mundialmente, 1,3 bilhões de cabeças de gado colocam no ar 60 milhões t/ano de metano, cerca de 12% do metano liberado na atmosfera.
Apesar de as mudanças climáticas se apresentarem como o maior desafio atual da humanidade, seguimos bovinamente com nossos hábitos alimentares e consumistas em direção ao precipício. O cérebro humano nos dá a habilidade de raciocinar e pensar, mas é mais fácil combater o aquecimento global com a introdução de suplemento alimentar na dieta das vacas do que esperar que o Homo Sapiens corrija os seus erros de percurso no planeta. Afinal a emissão de metano é apenas um dos inúmeros impactos causados pelos rebanhos mundo afora. Para os demais ainda não há remédio se a humanidade não mudar a sua mentalidade.
Suplemento alimentar para vacas é arma contra mudanças climáticas, acesse o artigo original publicado no blog Pimenta no Meio { http://bit.ly/1Nf1LAr
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Dê play antes de ler e entre no clima
"As mudanças climáticas estão causando um impacto real na vida de indivíduos e comunidades no mundo todo. Nós temos que fazer algo sobre isso." Com essa frase, Kofi Annan abriu seu discurso de mobilização da sociedade para pressionar os líderes mundiais a fecharem um acordo robusto pelo clima em mais uma conferência, a COP 15. Foi em 2009, o tempo de tomar a decisão já tinha chegado. As cidades já estavam assando, o gelo já estava derretendo, já era urgente agir. Mas, os líderes mundiais desperdiçaram a oportunidade. Era ainda viável e menos difícil que agora.
Não faltou conferência, faltou ousadia. Não faltou alerta, faltou a tomada da decisão. Não faltaram estudos, faltou ação. E o tempo passou. Depois da COP 20 em Lima [Peru], vamos para 2015 com a obrigação de somar grandes esforços para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa e tentar que o aumento da temperatura no planeta não seja maior que 2 graus Celsius.
A COP 21 merece uma mobilização sem igual das sociedades. Que sejam acordados entre as nações esforços e cooperações, porque temos pouco tempo. Precisamos agir, e é já.
Pioramos nossa situação nos últimos anos, destruindo numa velocidade e numa violência monstras o mundo em que vivemos. Batemos recordes seguidos de altas temperaturas, cada ano mais quente que o anterior. Claro, continuamos despejando na atmosfera CO2, metano, e muitos outros gases, acumulando emissões, como se não respirássemos essa poluição toda, como se não nos fizesse mal algum nem matasse. Como se não estivéssemos aquecendo demais o planeta, como se já não fosse extremamente grave.
Pois é. E tudo na farsa de um bem estar, na realidade para poucos, baseado no consumo e no descarte compulsivos de coisas que não nos beijam, não nos transmitem amor, não são sequer necessárias, e que são feitas com recursos naturais que acabam. Ignoramos o meio ambiente. Estamos esgotando os recursos da natureza, que são provedores de toda a vida, para produzir mais e mais coisas desse jeito estúpido, desmatando, contaminando águas, solos, ar, alimentos, nos poluindo, gerando lixo em demasia, extinguindo de animais a plantas e também as condições favoráveis de existirmos. Somando tudo, inclusive a desigualdade social que mantém lugares e serventias de pobres e ricos, detonamos nossa saúde, viralizamos doenças no corpo, no coração e na mente.
Somos a sociedade de consumo que precisa deixar de ser isso [global e localmente], destruidora, degradante, desperdiçadora, fútil, hostil à natureza. Insistimos em colocar a economia à frente da pessoas e do meio ambiente, a qualquer custo, sem limites, forjamos uma normalidade insana [a propaganda de um mercado insustentável embutida na publicidade de produtos e serviços e de serviços jornalísticos] de alienação, distanciamento da natureza e substituição de afetos por coisas. E isso deu tão ruim que aceleramos alterações na natureza que normalmente ocorreriam somente daqui a milhões de anos. É a nova era que inventamos, de uma interferência matadora, o Antropoceno.
A mudança é o nosso destino, mudar práticas, mudar hábitos, mudar importâncias e prioridades da humanidade, mudar o rumo da civilização. Perceber a vida, enxergar os outros, dar valor ao que importa, seguir no sentido da sustentabilidade. Tictactictatictactictactictac...
Não nos falta poder, precisamos de escolha. E vamos precisar de todo mundo, se queremos o futuro. Ou preferimos "quebrar tudo" por aqui para produzir, vender, comprar, ostentar e jogar fora coisas que não valem mais que a vida?
Os líderes mundiais têm falhado em nosso nome. Estamos todos no atraso. O aquecimento está ligado. Não tem mais volta. Nós temos que agir. Faça a sua aliança com o clima, por você, pela sua família, faça no presente para o futuro.
Por isso que recomendamos que você desse play antes de começar a ler. Beds Are Burning é a canção do Midnight Oil que foi adaptada para a campanha TicTacTicTac lá em 2009 e cantada por mais de 60 artistas em defesa da justiça climática. A mensagem está mais atual que antes, as cidades continuam assando.
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| Imagem capturada do vídeo de Beds Are Burning |
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
Fotos "quentes"? Não, meu bem, quente está o planeta, e a culpa é nossa, não piora as coisas...
A Índia está passando por uma onda de calor, não é um fenômeno isolado do que ocorre em todo o mundo. Aumentamos a temperatura do planeta e estamos sentindo os efeitos. Negar ou fazer gracinha com o maior desafio da humanidade não ajuda em nada, ao contrário. O calor excessivo na Índia já causou a morte de mais mil pessoas, não é brincadeira. Mas, ainda tem gente que acha que pode brincar com um fato grave apenas para faturar mais cliques, é o sensacionalismo da ignorância.
O exemplo grotesco disso é o título da notícia no portal Exame: "12 fotos "quentes" que mostram o calor infernal na Índia". Quaquaquaquaqua, que engraçadinho, só que não. Jornalistas precisam atualizar seus conhecimentos para não divulgar ignorâncias próprias e, antes de pensar no título clicável, deveriam lembrar da responsabilidade que carregam nessa labuta que é o serviço de produzir informação. Nesse caso, o peso da responsabilidade é grande, porque o mundo está derretendo, não temos mais tempo a perder, muito menos com firulas e interesses pequenos de audiência ou de glamourização própria.
A ignorância é tanta que não conseguimos fazer a relação entre o calorzão na Índia e o calorzão aqui mesmo, no Brasil. O Inverno aqui esse ano vai ser mais quente, como foi ano passado, porque o aumento das temperaturas tem batido recordes seguidamente. 2014 foi o ano mais quente desde o início das medições das temperaturas globais, no final do século 19.
A foto do asfalto derretendo na Índia está correndo o mundo. Pois o asfalto também derreteu nesse Verão no Rio de Janeiro [e nós registramos]. Sabe por que? Porque a natureza não tem fronteiras, aquecemos o planeta sem parar, estamos assando feito bolo no forno alto. Tem graça isso? Tictactictactictactictac...
Fotos { Asfalto derretendo, no Estácio, Rio de Janeiro, 22/01/2015, de Beatriz Carvalho Diniz
[Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 3.0 Brasil - Faça bom uso sem fins comerciais]
O exemplo grotesco disso é o título da notícia no portal Exame: "12 fotos "quentes" que mostram o calor infernal na Índia". Quaquaquaquaqua, que engraçadinho, só que não. Jornalistas precisam atualizar seus conhecimentos para não divulgar ignorâncias próprias e, antes de pensar no título clicável, deveriam lembrar da responsabilidade que carregam nessa labuta que é o serviço de produzir informação. Nesse caso, o peso da responsabilidade é grande, porque o mundo está derretendo, não temos mais tempo a perder, muito menos com firulas e interesses pequenos de audiência ou de glamourização própria.
A ignorância é tanta que não conseguimos fazer a relação entre o calorzão na Índia e o calorzão aqui mesmo, no Brasil. O Inverno aqui esse ano vai ser mais quente, como foi ano passado, porque o aumento das temperaturas tem batido recordes seguidamente. 2014 foi o ano mais quente desde o início das medições das temperaturas globais, no final do século 19.
A foto do asfalto derretendo na Índia está correndo o mundo. Pois o asfalto também derreteu nesse Verão no Rio de Janeiro [e nós registramos]. Sabe por que? Porque a natureza não tem fronteiras, aquecemos o planeta sem parar, estamos assando feito bolo no forno alto. Tem graça isso? Tictactictactictactictac...
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